O que é PCB (Ascarel) e por que sua empresa precisa se preocupar com isso agora?

Entenda o que são os bifenilos policlorados, onde eles se encontram nas instalações industriais e elétricaas, quais são os riscos ambientais e à saúde, e o que a legislação brasileira exige da sua empresa — especialmente após o prazo legal de 2025.

Se você trabalha com instalações industriais, setor elétrico ou gestão ambiental corporativa, é provável que já tenha ouvido falar em PCB — sigla em inglês para Polychlorinated Biphenyls —, conhecidos no Brasil pelo nome comercial Ascarel. Mas você sabe exatamente o que são, onde estão e o que a legislação brasileira exige sobre eles?

Este artigo responde a essas perguntas de forma direta e prática, com foco em gestores industriais, profissionais de compliance e responsáveis pelo setor elétrico. Ao final, você terá clareza sobre os riscos que esse resíduo representa e os passos que a sua empresa deve dar para estar em conformidade — antes que o problema bata à sua porta na forma de multas, autuações ou passivos ambientais.

O que são os PCBs (Ascarel)?

Os PCBs são um grupo de compostos químicos sintéticos formados por átomos de carbono, hidrogênio e cloro. Foram desenvolvidos a partir dos anos 1920 e amplamente utilizados na indústria ao longo do século XX por conta de propriedades que os tornavam altamente atrativos para aplicações técnicas:

  • Alta estabilidade química e térmica
  • Baixa inflamabilidade
  • Excelente capacidade isolante elétrica
  • Alta viscosidade, ideal para uso como fluido dielétrico

No Brasil, a principal marca comercial que continha PCBs era o Ascarel, e é por isso que os dois termos são frequentemente usados como sinônimos no contexto industrial e regulatório brasileiro. Além do Ascarel, PCBs também estavam presentes em produtos como Aroclor, Clophen, Fenclor e outros.

Durante décadas, essas substâncias foram amplamente empregadas em transformadores elétricos, capacitores, sistemas de transferência de calor, tintas, adesivos, plásticos e até papel carbono. O problema? Só muito depois de sua ampla disseminação foi que a ciência comprovou seu enorme potencial de dano ao meio ambiente e à saúde humana.

Por que os PCBs são tão perigosos?

Os PCBs se enquadram na categoria dos chamados Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) — substâncias que, uma vez liberadas no ambiente, não se degradam facilmente e tendem a se acumular ao longo do tempo e das cadeias alimentares. Esse fenômeno é conhecido como bioacumulação e biomagnificação.

Isso significa que um vazamento de PCBs no solo pode contaminar o lençol freático, chegar a rios, ser absorvido por peixes, e eventualmente afetar humanos que consomem esses alimentos ou bebem água da região. E, como a substância não se degrada naturalmente em curtos prazos, o dano pode persistir por décadas.

Os efeitos comprovados dos PCBs sobre a saúde humana incluem:

  • Danos ao sistema imunológico
  • Alterações hormonais e endócrinas
  • Comprometimento do desenvolvimento neurológico em crianças
  • Associação com certos tipos de câncer, em especial o linfoma não-Hodgkin
  • Problemas hepáticos e dermatológicos (cloracne)
⚠️  ATENÇÃO — Classificação Legal A ABNT NBR 10.004/2004 classifica os resíduos contendo PCBs como Resíduos Classe I — Perigosos, o que implica obrigações específicas de armazenamento, transporte, tratamento e destinação final para toda empresa que os gera ou detém.

Onde os PCBs podem estar nas instalações da sua empresa?

Essa é, muitas vezes, a maior dúvida dos gestores: “Como saber se temos PCBs em nossa empresa?”

O primeiro passo é entender que os PCBs estavam presentes, principalmente, em equipamentos elétricos fabricados antes de 1981 — ano em que a fabricação de Ascarel foi proibida no Brasil. Portanto, se a sua empresa possui equipamentos elétricos antigos, é fundamental fazer uma avaliação.

Equipamentos com maior probabilidade de conter PCBs:

  • Transformadores elétricos de distribuição e potência fabricados antes de 1981
  • Capacitores elétricos de gerações anteriores
  • Chaves de distribuição e disjuntores antigos preenchidos com fluidos isolantes
  • Equipamentos importados de países que continuaram usando PCBs após 1981
  • Tanques e recipientes que armazenaram óleos dielétricos contaminados
  • Áreas industriais onde houve histórico de vazamentos de fluidos isolantes

Vale destacar que mesmo equipamentos que não foram originalmente fabricados com PCBs podem ter sido contaminados por cruzamento — situação em que óleos limpos entram em contato com equipamentos contaminados durante manutenção ou reabastecimento.

💡  Sabia que? A única forma de confirmar a presença de PCBs em um equipamento ou fluido é por meio de análise laboratorial específica. A análise visual ou o simples fato de um transformador ser antigo não é suficiente para confirmar ou descartar a contaminação.

O que diz a legislação brasileira sobre PCBs?

O Brasil é signatário da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, incorporada ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto 5.472/2005. Esse tratado internacional estabelece a obrigatoriedade de eliminação progressiva dos PCBs em todos os países signatários.

No âmbito nacional, diversas normas regulamentam a questão. Veja o panorama geral:

LegislaçãoO que determina
ABNT NBR 10.004/2004Classifica os PCBs como resíduo Classe I — Perigoso
Decreto 5.472/2005Promulga a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) no Brasil
Lei 14.250/2021Estabelece prazo final para eliminação de PCBs no Brasil, conforme Convenção de Estocolmo, e a obrigação do inventário de PCBs
Portaria Interministerial MMA/MME 107/2022Estabelece condições para a eliminação dos PCBs e implementa o sistema Inventário Nacional de PCBs

O ponto de maior atenção para as empresas hoje é a Lei 14.250/2021, que fixou 2025 como o prazo final para desativação dos equipamentos que contêm PCBs no Brasil. Esse prazo já venceu — o que significa que empresas que ainda possuem equipamentos contaminados com PCBs em uso estão, neste momento, em situação de irregularidade perante o IBAMA.

Quais são as obrigações concretas da sua empresa?

Independentemente do setor de atuação, toda empresa que possua ou tenha possuído equipamentos com PCBs tem obrigações legais a cumprir. As principais são:

  1. Inventariar todos os equipamentos suspeitos — transformadores, capacitores e outros dispositivos elétricos antigos devem ser identificados e registrados.
  2. Realizar análises laboratoriais — amostras do fluido dielétrico devem ser coletadas e enviadas a laboratório credenciado para confirmar ou descartar a presença de PCBs.
  3. Elaborar e manter um Plano de Gerenciamento — documentando as ações de controle, monitoramento e destinação planejadas para os equipamentos contaminados.
  4. Contratar empresa licenciada para a destinação final — somente empresas com licença ambiental específica podem realizar a descontaminação e o descarte de resíduos com PCBs.
  5. Guardar toda a documentação comprobatória — CDF (Certificado de Destinação Final), MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) e laudos laboratoriais devem ser arquivados por período mínimo de 5 anos.

Quais são os riscos de não agir?

Ignorar o problema dos PCBs não é uma opção segura — nem financeira, nem juridicamente. As consequências para empresas em situação irregular incluem:

  • Multas do IBAMA que podem chegar a R$ 50 milhões por infração ambiental, conforme o Decreto 6.514/2008
  • Interdição de atividades pela autoridade ambiental competente
  • Responsabilização criminal dos gestores responsáveis
  • Danos reputacionais severos, especialmente em contextos de auditoria ESG ou certificações internacionais
  • Passivo ambiental não declarado que pode comprometer fusões, aquisições ou acesso a crédito
  • Responsabilidade civil por danos a terceiros causados por vazamentos ou contaminação de solo e água

Além disso, a tendência regulatória é de enrijecimento das fiscalizações. O Brasil tem reforçado os compromissos da Convenção de Estocolmo, e organismos como IBAMA e agências estaduais de meio ambiente têm intensificado as ações de fiscalização em empresas do setor elétrico e industrial.

Como funciona a destinação correta de resíduos com PCBs?

A destinação de resíduos com PCBs envolve um processo técnico e regulatório estruturado, que deve ser conduzido por empresa devidamente licenciada pelo órgão ambiental competente. De forma geral, o processo segue as seguintes etapas:

1. Diagnóstico e inventário

Levantamento de todos os equipamentos elétricos da empresa, identificação dos suspeitos e coleta de amostras para análise laboratorial. O laudo confirma a presença de PCBs e em qual concentração.

2. Planejamento logístico

Definição do cronograma de retirada, emissão dos documentos exigidos (MTR, licenças de transporte), escolha da rota segura e treinamento das equipes envolvidas.

3. Retirada e acondicionamento

Os equipamentos ou fluidos contaminados são removidos por equipe especializada, acondicionados em embalagens homologadas e rotulados conforme a legislação de transporte de produtos perigosos (ABNT NBR 7.503).

4. Transporte

O transporte é realizado por transportadora licenciada para resíduos perigosos, com toda a documentação obrigatória: CTF/APP (IBAMA), licença ambiental, certificado de adequação da ANTT e MTR emitido via SINIR.

5. Destinação final

No Brasil, os resíduos com PCBs são destinados principalmente para incineração em altas temperaturas (acima de 1.200°C), processo que destrói as moléculas de PCB sem gerar emissões tóxicas significativas — desde que realizado em instalações licenciadas e com monitoramento contínuo.

6. Emissão do CDF

Ao final do processo, a empresa responsável pela destinação emite o Certificado de Destinação Final (CDF), documento que comprova o cumprimento das obrigações legais e deve ser arquivado pela empresa geradora.

Como a SANIPLAN pode ajudar a sua empresa?

A SANIPLAN Engenharia e Serviços Ambientais é especializada no gerenciamento e destinação de resíduos perigosos, com ampla experiência em processos envolvendo PCBs e Ascarel em diversos segmentos industriais e institucionais.

Nossa equipe técnica oferece suporte completo em todas as etapas:

  • Consultoria para diagnóstico e inventário de equipamentos
  • Coleta e encaminhamento de amostras para análise laboratorial
  • Elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos com PCBs
  • Execução de toda a logística de retirada, transporte e destinação final
  • Emissão de toda a documentação comprobatória exigida pela legislação
  • Suporte em processos de auditoria ambiental e certificações ESG

Atendemos empresas de pequeno, médio e grande porte em todo o território nacional, com equipe qualificada, frotas homologadas e parcerias com instalações de tratamento licenciadas.

📞  Fale com nossos especialistas Se a sua empresa possui equipamentos elétricos antigos ou suspeita da presença de PCBs em suas instalações, não espere a fiscalização chegar. Entre em contato agora mesmo e solicite uma avaliação.   WhatsApp: (21) 98272-2288  |  www.saniplanengenharia.com.br

Conclusão

Os PCBs representam um dos passivos ambientais mais sérios e ao mesmo tempo mais negligenciados no ambiente industrial brasileiro. A combinação de equipamentos envelhecidos, desconhecimento regulatório e postergação das decisões cria um cenário de risco crescente — tanto para o meio ambiente quanto para as empresas que ainda não regularizaram sua situação.

Com o prazo legal para desativação dos equipamentos que contêm PCBs já encerrado em 2025, o momento de agir é agora. Identificar, inventariar e destinar corretamente os resíduos com PCBs não é apenas uma obrigação legal: é uma decisão estratégica que protege a empresa, seus colaboradores, as comunidades ao redor e o meio ambiente.

Na dúvida, conte com quem tem experiência: a SANIPLAN está pronta para orientar e executar todo o processo com segurança, agilidade e conformidade total com a legislação vigente.

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